Tudo, mas tudo mesmo!

7 de julho de 2008

Um dia Bob Marley disse:
“Don’t worry about a thing, cause everything is gonna be all right.”

E eu complementei:
“E ai de quem disser o contrário!”

***
Notas do Editor:
1- É isso aí pessoal, pensamento positivo.
2- Mesmo que seja na marra!
3- Ah esse Muta…

Mudanças & Mutações

7 de julho de 2008

Sabemos que a vida está sempre em constante mudança, uma mutação contínua e inexorável, para o bem ou para o mal, em direções totalmente imprevisíveis.

Mas tudo, absolutamente tudo, muda (muta?) também?

Um sentimento poderá mudar depois um tempo indeterminado? Mesmo quando não queremos que ele mude?

Fila

4 de julho de 2008

1. Só falta ele sair, que é a minha vez. Por que estou achando que ele é o que mais demorou só porque é a minha vez? Eu sempre acho que o que mais demorou é o que estava na minha frente. Estou até me acostumando a detestar previamente o sujeito que está na minha frente só porque eu sei que ele vai demorar mais. Poxa vida, a velha na frente dele demorou tão pouquinho. E eu que deixei ele entrar na minha frente só porque eu achei que seria errado odiar esse velha.

2. É só o cara que está sendo atendido agora, a pessoa da frente, e eu. Em dez minutos tudo termina? Cruzes, essa pessoa da frente parece estar mais ansiosa que eu: não pára de balançar a perna. Poderiam inventar um walkman que funcione pela energia dos ansiosos que movem as pernas assim. Mas coitados, iam ficar mais ansiosos porque a música ia ficar muito rápida. Acho que a música não ia

3. Minha vez, agora é minha vez!

2. Não é, deixa eu terminar meu pensamento! A música não ia tocar mais rápido, acho que a energia excedente se dissiparia. Isso, se dissiparia.

3. Sujeitinho tolo. Acabei de chegar, e esse médico parece estar há mais de três horas com aquele cara que acabou de entrar. E esse filho da puta da minha frente ainda fica ocupando a fila de pensamentos! Filho da puta, me irritei. Venho outro dia.

3. Ui! O rapaz que estava na minha frente saiu daqui bufando e eu passei na frente dele! Acho que não deve demorar muito. Não tem ninguém atrás de mim. É ruim quando isso acontece, porque eu sinto que poderia ter ficado o tempo até que a outra pessoa chegue fazendo outra coisa antes. Entendeu? Não precisa entender, eu estou só pensando.

Separações

3 de julho de 2008

 A recente notícia da mudança de uma amiga para outro estado me fez começar a pensar na vida e nas separações que, mesmo não nos dando conta, temos que enfrentar desde que nascemos.

A primeira, mais radical, mas não lembrada por razões óbvias, é quando nos separamos da barriga da mãe. Não é à toa que quando saímos de lá abrimos o berreiro.

Alguns anos depois, quando já estamos mais crescidinhos, mas nem por isso aptos a entender o motivo, nossos pais nos largam na creche. É a segunda ocasião onde uma separação pode ocasionar choro compulsivo

Mas até aí os grandes traumas provavelmente envolveram somente os pais. A medida em que vamos crescendo, outras pessoas vão entrando em nossas vidas e muitas delas saem de repente, sem aviso, involuntariamente nos alertando sobre o que nos espera. São amigos e amigas que mudam de escola, do prédio, da rua, da cidade. Parece que arrancam um pedacinho da gente, que não vamos mais saber viver sem aquele amigo com o qual costumávamos nos divertir nas longas horas de folga. Até que alguém novo aprece e toma o lugar que parecia insubstituível.

Na adolescência parece que nossos laços com determinadas pessoas se tornam mais fortes. As separações passam a ser mais doloridas, mas verdadeiras. Seja o companheiro de colas do colégio, das aulas de natação, do curso de inglês. Alguns conquistam um lugar especial no coração, e desses sentimos falta por muito tempo ou para sempre. Já outros, deixam um vazio, mas que em pouco tempo é preenchido por uma nova e “eterna” amizade.

Nessa mesma época é quando nos apaixonamos e começam as primeiras decepções amorosas, daquelas que parecem que vão deixar nossos corações destruídos para sempre. O ciclo vai se repetindo, encontramos e novamente perdemos novos amores, e assim vamos aprendendo a lidar com essa dor; que termina (ou não) de vez quando um dia finalmente encontramos nossa “alma gêmea”.

Eis que entramos na faculdade, estamos cheios de sonhos, empolgados com a possibilidade de conhecer pessoas novas, fazer amigos com os quais passaremos a sair, nos divertir e criar vínculos. Num piscar de olhos a faculdade acaba e todas aquelas pessoas com as quais convivemos por alguns anos, passam a fazer parte do passado. Infelizmente algumas deixam saudades e inexplicavelmente somem pra sempre.

Creio que nessa altura da vida já temos bastante experiência no assunto, mas infelizmente não temos e nunca teremos como não sofrer com a perda de uma pessoa querida.

Como se não bastasse tudo isso, temos que durante toda nossa existência, enfrentar a morte; certamente a mais dolorosa das separações. Sejam parentes velhinhos ou bichinhos de estimação, o sofrimento sempre existe, seja em maior ou menor grau.

Talvez não tão sofridas, mas com certeza muito sentidas são separações de ambientes onde vivemos por muito tempo, como uma escola, trabalho ou a própria casa. São lugares que carregam uma história de vida e que por isso mesmo nos deixam lembranças e tristezas inexplicáveis.

Estar do outro lado, ser a pessoa que se muda e deixa tudo para trás, também é uma experiência dolorosa e dramática, mesmo quando sabemos que a nova vida pode ser melhor. Tendo passado por essa situação, posso dizer que imaginei que tal transformação pudesse amenizar o sentimento de perda, mas percebi que não. Cada caso é diferente do outro. Nunca vamos deixar de sofrer pela partida de uma pessoa querida. Pode até ser que aprendamos aos poucos a lidar com a situação, mas deixar de sofrer, jamais. Talvez pessoas mais iluminadas consigam, mas como não me considero uma delas, me afogo em lágrimas quando alguém se vai, e fiquei muito mais triste ainda quando tive que me mudar.

Nascemos sozinhos e partimos sozinhos, mas acho que a nossa missão é a evolução, portanto sempre precisaremos de alguém. Não somos auto suficientes, e saber viver sozinho é um aprendizado, afinal nossa felicidade não deve depender totalmente de terceiros. Temos que aprender a ser felizes por conta própria, mesmo que por pouco tempo, pois por uma vida inteira é inviável.

Nossa história pessoal deve ser feita de riso e de choro. Rimos quando estamos com essas pessoas especiais. E choramos quando elas nos deixam. Mesmo quando sabemos que não é pra sempre.

São momentos tristes e que me fazem chorar, mas infelizmente estou tendo que me preparar para em breve passar por isso mais uma vez. Nunca vou deixar de sofrer ao me distanciar de pessoas queridas, assim como vou ter sempre a esperança de revê-las um dia.

Lágrimas

29 de junho de 2008

Serão as lágrimas salgadas, para nos fazerem lembrar do mar, da sua imensidão e da nossa insignificância, fazendo assim com que os nossos problemas pareçam menores ante a infinitude do mar, do mundo e do universo?

Bom Presságio

27 de junho de 2008

Sobrevoando os Alpes, em algum lugar entre Lyon e Zürich, consigo deixar de lados as minhas preocupações.

Por que?

Bem, em uma nuvem eu vi o Tim Maia (sim, ele está no céu!), justamente enquanto o ouvia cantar “No Caminho do Bem”. Olha, se isso não é um bom, ou melhor, ótimo presságio, nada mais é!

O passeio solitário

26 de junho de 2008

Eu entrei no ônibus aquele dia sem saber exatamente o que iria fazer. Tinha um dia livre (e lindo) pela frente, nenhum horário ou compromisso.

Conhecia o trajeto inteiro, mas não sabia onde desceria, até onde o passeio me levaria, ou até mesmo se meu destino seria ficar ali dentro, circulando pela cidade, somente observando ou descer em determinado ponto para fazer um programa comigo mesma. Resolvi relaxar e literalmente deixar a vida me levar.

Estava com muita vontade de ficar sozinha, o que não significa que estivesse triste. Muito pelo contrário, acontecimentos recentes tinham tornado minha vida melhor, e com a vida corrida que vinha levando, acho que a falta de tempo me impediu de parar pra pensar. Solidão, decididamente não é sinônimo de tristeza.

No início, nem sabia bem o motivo desse passeio um tanto insensato, o que tinha feito eu sair de casa e tomado tal ônibus. Poderia ter ido a um parque, fazer compras, ir ao cinema; programas que costumo fazer sozinha, mas naquele dia, algo me levou a tomar um ônibus, meio sem rumo. Mesmo que inconscientemente, a preguiça teve parte nessa escolha.

Como não sou muito chegada a conversar com estranhos, principalmente em ônibus, onde se encontra de tudo um pouco, a excelente alternativa que encontrei para fugir dessas situações, foi carregar um cd player (ainda não sou moderna e rica o suficiente para comprar um iPod). Levei músicas que me trazem boas recordações, como Depeche Mode, Madonna e como metaleira fiel, o menos conhecido, mas não menos amado Blind Guardian, e que no final foram reveladas felizes escolhas.

As músicas me fizeram pensar tanto, relembrar muitos momentos da minha vida, que acabei relaxando e nem me importando se desceria do ônibus ou não. Talvez quando sentisse vontade de fazer xixi. Mas como isso levou horas pra acontecer, me entreguei aos meus pensamentos e tive um dos dias mais produtivos dos últimos tempos.

Sozinha, pude pensar no que ando fazendo de errado ou de certo, na minha vida amorosa, na minha saúde, no trabalho, no passado, no presente e principalmente no futuro. Consegui até tomar algumas decisões relevantes. Cabe dizer, que logicamente estava acompanhada do meu inseparável caderninho laranja já no fim da sua vida útil, de tanto uso.

Depois de quase duas horas sentada pensando, cantando baixinho e fazendo anotações, era hora de me mexer um pouco, procurar um banheiro e uma água gelada. Como estava na cidade de São Paulo, onde o tempo muda totalmente em poucas horas, o céu lindo que havia visto no começo do passeio, tinha dado lugar a nuvens e a um clima abafado típico de chuva. Algo que eu detesto, mas que naquele momento, curiosamente, não me afetou. Não pelo fato de ter levado o guarda chuva, mas sim por não estar me importando em tomar chuva, algo atípico para mim.

Sabia que tinha um shopping relativamente perto de onde estava, e desci do ônibus.Claro que durante o caminho ela chegou. Fina e refrescante. Estava bem perto do meu destino, o que foi providencial para não me deixar ensopada, e assim sendo não cheguei lá com cara de pinto molhado. Menos mal, pois já chamo atenção naturalmente. Se estivesse molhada, os olhares seriam de pena, no mínimo. Me livrei disso.

A fome estava batendo, e resolvi fazer um lanche. Foi curioso perceber as pessoas me observando. Dessa vez sim, senti que me olhavam com certa pena. No entanto, era como se não fosse comigo, pois não era eu que estava sendo julgada, e sim, elas. Deixei um pouco o egocentrismo de lado e comecei a observar os indivíduos que circulavam por ali. Me pus a imaginar o que cada uma estava fazendo ali, qual era sua relação com as outras pessoas com quem estavam e como poderiam ser suas vidas.

No final, não cheguei a muitas conclusões, mas percebi que vi muita gente acompanhada, embora transbordando solidão. Isso me fez pensar em pessoas que sempre estão acompanhadas e nunca tiram um tempo para ficarem sozinhas. Será que é porque evitam suas próprias companhias? Acho que muita gente por ser assim acaba não se conhecendo de verdade.

Depois de passar algum tempo divagando sobre questões quase filosóficas como solidão e auto estima, era hora de tomar algum rumo. Já que estava num shopping, o rumo escolhido foi uma loja de bijuterias, onde acabei deixando algumas dezenas de reais, alegrando mais ainda o meu dia e o da vendedora.

Estava mais do que satisfeita com essas minhas últimas horas “all by myself”, com meus pensamentos, idéias e constatações. Saí dali feliz, peguei o ônibus que me deixaria em casa quase duas horas depois; e durante a volta, absorta nos meus pensamentos cheguei à conclusão de que muitas vezes sou a melhor companhia pra mim mesma.

Não tem irmã, pais ou amigos que me façam tão bem quanto eu mesma.

Amigo Urso

24 de junho de 2008


Índia: homem é preso por fazer de urso bicho de estimação [mais]

Ok, fui só eu, ou mais alguém achou, no mínimo, estranha essa manchete? E imaginem só o momento do flagrante:

Indiano: Veja bem, isso não é o que parece!
Policial: Sei, sei…
Indiano: Nós somos apenas bons amigos.
Policial: Isso na minha terra tem outro nome…
Indiano: Mas… E se fosse uma vaca?

Mutantes em Viagem 3 – Mas, e Sobre Rapperswil?

21 de junho de 2008

Pois é tamanha a empolgação para falar dos lugares diferentes, altos, com neve e afins, que quase deixo de falar sobre a cidade onde estou, Rapperswil.

Acredito que alguma explicação sobre o nome da cidade seja um bom ponto de partida. Bem, Rapperswil significa… Errr… Bom, não faço idéia e, entre todos os que perguntei, ninguém sabia me explicar a origem do nome Rapperswil. Daí formulei uma própria teoria, dizendo que nos idos da Idade das Trevas na Europa, uma tribo nômade de índios americanos conseguiu cruzar acidentalmente o Atlântico norte e acabou chegando por aqui. Logo em seguida formaram uma fanfarra para tocar a música tradicional de sua terra distante, o Rap, e a cidade foi primeiramente conhecida como Rappers Ville e depois Rapeperswil.

Não sei bem o porque, mas o pessoal daqui não gostou muito dessa minha versão.

Ok, agora vamos falar sério sobre a cidade: um castelo no ponto mais alto, ruas históricas, centro cultural – no dia 27 começará um festival de jazz e blues (não rap, graças ao bom deus) –, uma variedade de restaurantes impressionante, margeando o lago de Zürich, pássaros cantando o dia todo, o apelido de Cidade das Rosas devido aos seus jardins e apenas 20.000 habitantes. Sim, trata-se de uma cidade turística e é sorte que a matriz da empresa esteja localizada aqui, pois as horas livres são sempre proveitosas.

Mas tem é claro as suas particularidades… Durante a semana, as pessoas desaparecem das ruas. É estranho, e verdadeiro, as pessoas somem. Mesmo quando está calor, parece que elas não tem o costume de ficar na rua e evitam isso o máximo possível. Consequentemente, o silêncio acaba sendo até mesmo angustiante e o toque constante dos sinos da torre do castelo acabam ficando mais evidentes. A cada 15 minutos uma variação crescente de toques que atingem o auge no anúncio das horas completas.

E sabem o melhor? Meu hotel ficar muito, mas muito perto mesmo do castelo e dos sinos. Acreditem meus amigos, é lindo o tocar dos sinos durante a madrugada…

Além desses pontos curiosos, vale ressaltar que, como em todo o país, tudo é muito organizado e as leis são realmente respeitadas. E os trens, ah os trens… Tabelas de Horários válidas por um ano e poderíamos acertar os relógios pelos horários dos danados, é impressionante! Mas tenho a sincera opinião de que se um dia um trem vier a se atrasar, o pessoal vai enlouquecer e ficar sem saber o que fazer, pois, em geral, jogo de cintura é algo que eles não têm muito desenvolvido.

Sendo assim, em resumo, a cidade é bonita, cheia de opções gastronômicas e culturalmente cheia de opções. E o pessoal é hospitaleiro com estrangeiros, além de muitos falarem também inglês, facilitando a nossa vida. Só que percebe-se algo frio dentro das pessoas e talvez essa hospitalidade toda não passe da página dois.

E depois de duas semanas por aqui – com ainda mais uma por vir – não me envergonho em dizer que estou louco para voltar para o meu país, a minha casa e para as pessoas que amo! E chamem-me de Ufanista se quiserem, mas acho o Brasil, mesmo com os seus problemas, um dos melhores lugares do mundo, o que só me incentiva a ajudar a fazê-lo um lugar melhor!


[verão em rapperswil: alimentar os patos é um evento!]

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Notas do Editor:
1- Reparem que o Muta fala bem do lugar, mas sempre com ressalvas.
2- Aliás, “mas” deve ter sido a palavra mais usada no texto.
3- Dizem que isso é sintoma de uma doença provocada pela falta de graúnas por perto.
4- Pela falta que faz uma Graúna em especial, na verdade…

Fatinha

20 de junho de 2008

Ela subiu no meu colo devagarinho, enquanto eu estava distraído. Tão distraído, que me esqueci de que não gosto de gatos. Detestava gatos, e quando passava por um na rua, distanciava sem a preocupação de parecer casual.

Ah, sim. Quem subiu no meu colo foi uma gatinha.

Se esfregou em mim, e eu não sei por quê, mas fiz um carinho nela também. Fiz um carinho como se meu cachorro não tivesse morrido, e fiz o carinho como se gatos fossem que nem cães. Ou melhor: fiz um carinho como se ela não fosse gato.

Mas não parou de se esfregar em mim, e o nariz dela é rosa. Fora que não parava de espirrar feito quem está com gripe brava. Se ela não tivesse o nome de Fatinha por causa de uma tia do meu amor, sugeriria o nome de Vick, por causa do Vaporubi.

Então a mãe do meu amor disse que a gata faz isso por ciúmes da criança mais linda. A mãe disse que ela fez por ciúmes, não por mim. Eu pensei que tudo bem. É um ciúmes muito bem aplicado e muito gostosinho. Pode se enciumar em mim, eu disse em pensamento para a gatinha.

Meu tronco ainda estava tenso e retesado. Notei que era uma falta de cumplicidade com a coitadinha da gatinha, que se contorcia em meu colinho. E voltei à minha postura primata.

Então meu amor me olhou com ciúmes e disse:

- Ela é assim com todo mundo!

Pois eu olhei para meu amor com minha cara que diz que é um absurdo que ela sentisse ciúmes, já que é uma alegria gostar de tudo que é dela, e, enciumado da gatinha, não disse, mas poderia ter dito:

- Mas eu não sou assim com ninguém!